E aquela frase que me parecia tão banal fazia todo sentido agora. Essa conversinha fiada de "eu não sei viver sem você" me fazia gargalhar ironicamente, como era possível uma dependência tão grande de alguém que nem tem o mesmo sangue que corre em suas veias? Eu sempre ignorei essas frases prontas que são usadas em momentos supostamente adequados e nunca deu muito valor a essas seis palavras que eu confesso já ter escutado mas nunca dito! Foi ai que me vi dependente de todas as suas expressões fofas, da mania de segurar o braço enquanto falava, da luz cintilante que vinha do reflexo da corrente prata que eu adorava e me vi presa ao brilho literal do seu sorriso, abri mão da minha liberdade e reconheço não ter sentido falta dela enquanto você preenchia todo o vazio. Mas em um dos dias que o sol não apareceu eu escutei sua voz num tom diferente, tava frio, distante... tava pondo um fim absurdo nos meus planos eternos. Os dias que se seguiram foram todos escuros, o sol podia me doar os seus maiores raios, nenhum deles era capaz de atravessar a barreira que eu construi em minha volta, eu não reconhecia nem mesmo o reflexo do meu espelho, eu perdi meu ar, mais que isso eu me perdi de mim... Em ataques de histeria eu ri descontroladamente, a vida escolheu o jeito mais irônicopra me provar que eu realmente não sabia viver sem você e que aquelas seis palavras quando ditas verdadeiramente não tem nada de patéticas. Mantive meus olhos fechados ainda que inconscientemente e não consegui me adaptar fácil a claridade exagerada quando a venda finalmente caiu, procurei pela minha liberdade e só aí lembrei que a tinha embrulhado e dado inteira pra você. Suas recordações vivas me martirizam, teve dias em que jurei ter ouvido a sua voz, ouve noites que te vi e não tive coragem pra encontrar teus olhos... Eu seria bem mais covarde que você se negasse minhas fraquezas, eu as assumo e as enfrento! Eu realmente não sabia viver sem você, mas aprendo aos poucos, sempre fui boa aluna e não há melhores professores que a vida e o tempo.
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