E é óbvio que esta taça guarda mais que uma diminuta dose de vinho, abriga noites casuais ou eternas, verdades de uma ou talvez duas vidas, na verdade não importa. O gosto é apurado, mais vivo que qualquer lembrança, mais forte que qualquer ausência... Seu nome sussurrado pela solidão se alastra e ecoa nas poucas janelas do meu quarto, enquanto algumas taças de vinho roubam minha consciência e me entregam a alguns dos meus melhores devaneios - lá eu me pertenço por inteira, tenho meu corpo como arma e você longe da mira - A partir daí, eu me vejo desperdiçar sorrisos desconexos, durante 'refrãos de um bolero' que eu já não consigo acompanhar, as palavras enrolam a língua, a bebida trava o coração... Pelo menos ali, durante as poucas horas sob efeito do álcool eu não amo você, não me importo com a sua falta de cuidado com a sua própria vida, nem me interesso pelos seus projetos inúteis que nunca passaram de rabiscos aleatórios, ali eu pertenço só a mim, a mim e a garrafa de vinho que acabara junto com a noite, deixando um sol ameno e um sentimento com mordaças frouxas... Eu ainda preciso sair de mim pra esquecer você!
"Refrãos de um bolero" - Referência a Engenheiros do Hawaii (:
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