terça-feira, 6 de abril de 2010

Terça-feira, 06 de abril de 2010.

Eu não me dei ao trabalho de abrir as cortinas esta manhã, alguns dos seus objetos pessoais ainda estavam espalhados pela casa e eu desviei deles como se não estivessem ali, suas roupas ocupavam um espaço considerável no meu armário e eu tive vontade de jogá-las pela janela mas me deparei com sua toalha em cima da cama e alguns dos seus escritos espalhados pelo chão do quarto, a caligrafia era impecável e as palavras as mais cultas possíveis, eu não consegui me identificar com nenhum dos seus textos amáveis e corretos, eles não descreviam nenhuma emoção por mais melancólicos que fossem, me perguntei se algum dia você chorou por alguém... Eu não quis cumprimentar nosso cachorro - agradeci por ele não ter latido hoje, não senti vontade de abrir a porta pra ver a rua como de costume e não tive coragem pra desligar o som que tocava o mesmo CD havia horas. Eu evitei as perguntas tolas que meu cérebro fazia, meu silêncio o fez desistir de buscar uma lógica plausível pra qualquer que fosse a situação. Agora eu estou de fato sozinha, sem você e suas reclamações idiotas sobre meu gosto ou meu jeito pessoal de organizar meus trabalhos, sem chão e também sem parte de mim, rabiscando a solidão nos seus velhos papéis, observando a lentidão de cada segundo que se passa sem uma ligação ou um pedido qualquer de desculpas, retirando da cama vazia a toalha, os sonhos e as recordações, dando aos papéis um lugar mais confortável do que a sua velha gaveta e um colorido que embora triste se faz mais eficiente do que o preto e branco das suas descrições...

Oi ficção, saudades de você (:

2 Comentários.:

Unknown disse...

:D

Rhalyne disse...

adoreei os teus textos;
sucesso!

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