
Há uns dias que eu penso na ingratidão que carregamos debaixo do braço, desprezamos as coisas mais simples que a vida oferece e quando ela dá uma pitada de complexidade fugimos amendrontados e a acusamos de ser injusta. O livro da fotografia roubada ao lado me fez mudar meu ângulo de visão, revisar algumas atititudes preconceituosas que mesmo inconsciente eu tinha e agradecer a todo instante a liberdade de andar, pular na grama e dançar como uma louca numa festa com os amigos. É incrível como em dois dias ele diminuiu consideravelmente a dimensão dos meus problemas, afinal eu posso levantar da cama, buscar forças no velho armário, vestir uma "pseudo" armadura e encontrar a solução, coisa que Marcelo - o autor - gostaria de ter feito depois de uma tetraplegia aos 20 anos de idade... Admiro o modo como ele fala do sol, de como sentiu falta até das buzinas stressantes de um trânsito intenso. Chorei junto com ele no natal e ano novo mais triste e solitário já descrito - e muito bem descrito - por alguém. Eu aprendi a admirar as cores, os sons e tudo que seja diferente e mais interessante do que o teto branco de uma UTI que foi sua única visão por meses. Aprender com experiências alheias é essencial e as minhas humildes palavras hoje são de admiração a este homem que me mostrou que o mundo lá fora é mais colorido e atraente do que se pensa.
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