E eu me deixei envolver pelos seus sonhos abstratos, aliás a única coisa de concreta que existia em sua vida falava palavras sem nexo pela pouca idade – acho que nem eu fui concreta o suficiente. Eu me vi presa a convenções tolas, me vi rodeada pelas suas paredes sufocantes, manchei folhas brancas com a melancolia. E tudo por alguém que diz saber demais e não consegue entender a singularidade do amor, minha capacidade de ser irracional vez por outra me assusta. Eu escuto coisas inúteis o dia todo, mas logo a sua voz me viciou de maneira desconcertante, eu precisava dela pra me sentir leve – flutuar, na língua dos possíveis apaixonados. Eu quis me tornar dependente, é idiota... mas eu quis e depois não achei o caminho de volta, tropecei sucessivamente que algumas vezes não tive certeza se já tinha me reerguido ou se permanecia no chão receosa pela próxima provável queda. E hoje com um sorriso irônico eu sou capaz de jurar que perder você me fez bem, eu desconheço o insuperável e descobri que nem a sua voz idiota é inesquecível, outro alguém irá sussurrar no meu ouvido e provocar as mesmas reações – ou quem sabe até melhores. Eu não vou desviar meu caminho por timidez ou por medo de ativar sentimentos adormecidos e sim por não suportar mais a frieza do seu olhar e a falsidade das palavras que afirmam sentir saudades – eu não preciso disso, ao contrário, até me faz mal. A nostalgia que as vezes me despertava de sonhos bons se despediu recentemente de mim, ela queria ficar...mas o espaço tava pequeno demais pra nós duas. Ela saiu e eu vi a casa vazia novamente, só aí me dei conta que ela tinha te levado na singela mala que carregou nas mãos, eu sorri e gritei da janela:
- Obrigada, não poderia ter pago a hospedagem de melhor forma.
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